Expor ou argumentar? Tenha em mente a finalidade de sua dissertação
Sueli de Britto Salles
Ao contrário do que muitos pensam, a dissertação não é um texto artificial que se aprende apenas para cumprir com as exigências de vestibulares e outros concursos. Ela é um gênero textual muito presente no cotidiano de qualquer pessoa. Toda vez que analisamos um fato, conceituamos uma ideia, discutimos um assunto ou defendemos nossa opinião, estamos dissertando.
Para realizar tais ações, precisamos refletir sobre o tema em questão, selecionando informações relevantes, a partir de uma pesquisa em nosso acervo mental ou em fontes confiáveis diversas. As ideias selecionadas devem ser organizadas de um modo convincente, em uma estrutura lógica (tese, desenvolvimento, conclusão) e com uma linguagem clara, culta e objetiva. Afinal, dissertar é falar sério, é mostrar nosso jeito racional/ intelectual de interpretar certo assunto. Por isso há um vínculo obrigatório entre a realidade e o conteúdo da dissertação, na medida em que o leitor acredita que o autor desse texto esteja comprometido com a verdade.
A dissertação, que pode ser expositiva ou argumentativa, é o gênero textual mais solicitado em vestibulares porque permite à banca avaliar o candidato a partir de vários critérios, como:
•capacidade de compreensão do tema e da proposta;
•conhecimento da estrutura textual dissertativa;
•domínio da norma culta da língua (já que esta é a esperada para esse tipo de texto);
•nível cultural (necessário para garantir a informatividade do texto);
•habilidade argumentativa, ou seja, de usar as informações selecionadas com o propósito de validar um determinado ponto de vista, tornando o texto convincente. Este item é especialmente importante na dissertação argumentativa.
A principal diferença entre a dissertação expositiva e a argumentativa é facilmente deduzida: a primeira expõe; a segunda argumenta. Cabem, porém, algumas considerações a mais sobre essa distinção:
Dissertação expositiva
É a modalidade textual adequada para tratar de informações tidas como verdades inquestionáveis e tem o objetivo de informar o leitor sobre o máximo de aspectos relevantes ligados ao tema.
Um trabalho escolar sobre o "Acordo Ortográfico", por exemplo, será uma dissertação expositiva se tiver como objetivo expor várias informações sobre o acordo, como os aspectos legais, as principais mudanças ocorridas na língua, os países afetados por essa reforma. Nesse caso, o aluno fará uma pesquisa séria, em fontes seguras e reconhecidas, como livros e revistas científicas. Anotará os dados principais e escreverá um texto organizado numa sequência lógica, em linguagem objetiva, partilhando com o leitor o seu conhecimento sobre o tema.
Quando houver itens polêmicos nesse tipo de trabalho, caberá ao aluno mostrar os dois (ou mais) lados divergentes, evitando revelar seu posicionamento, uma vez que a proposta é expor o máximo de aspectos relevantes que encontrou.
Dissertação argumentativa
Vai além da exposição organizada das informações. Nela o autor apresenta sua visão crítica do tema, ou seja, vê o assunto como algo polêmico, que gera diferentes versões sobre a "verdade" dos fatos.
Se o tema do trabalho sobre o Acordo Ortográfico fosse uma pergunta, como "O Acordo Ortográfico é essencial para o Brasil?", teríamos uma polêmica e, para desenvolvê-lo, precisaríamos escolher um lado, uma tese (sempre sujeita à discordância do leitor), fazendo uma dissertação argumentativa. Poderíamos usar os dados sobre o Acordo Ortográfico citados na dissertação expositiva (aspectos legais, as principais mudanças ocorridas na língua, os países afetados por essa reforma), mas agora enfatizando os pontos que ajudassem na defesa da nossa tese, descartando ou minimizando o peso das informações que não ajudassem nesse propósito.
Só existe argumentação porque há a possibilidade de discordância, assim há alguém para ser convencido, justificando o trabalho de uma argumentação para defender de modo convincente um determinado ponto de vista. Não há imparcialidade na dissertação argumentativa, assim o aluno que não se posiciona, que fica "em cima do muro", seja por insegurança ou por medo de desagradar a banca, comete um grave erro.
Nessa modalidade de dissertação, a maior parte do conteúdo deve destinar-se à apresentação de argumentos favoráveis à tese defendida e só é possível mostrar argumentos contrários se estes forem seguidos de contra-argumentos mais fortes, capazes de derrubar a oposição.
Vale lembrar que é possível usar trechos expositivos na dissertação argumentativa, mas é essencial que o aluno saiba qual é o propósito da sua redação: apenas expor fatos (dissertação expositiva) ou defender um ponto de vista (dissertação argumentativa), pois isso delimitará o que será ou não adequado àquele texto.
Sueli de Britto Salles é mestra em língua portuguesa, leciona em cursos universitários e participa de bancas corretoras de redações em vestibulares.
As estórias que interessam à educação são estimuladoras de novas perfomances para grandes transformações...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Como você pratica a redação ?
Quais são suas estratégias para escrever uma boa redação?
Muitos estudantes se prendem a diversas regras na hora de escrever redações para o vestibular mas se esquecem de algo fundamental: a escrita. Leitura, conhecimentos de gramática e de atualidades ajudam muito na hora de redigir um texto, mas só o treino é que faz com que o estudante domine as técnicas para poder expressar suas idéias com precisão.
"Podemos comparar a escrita à habilidade de tocar violão: ninguém diz que é um bom instrumentista sabendo só a teoria musical, é necessário ter a prática", explica o professor Eduardo Antonio Lopes, do cursinho Anglo, em São Paulo.
Outro aspecto importante e que deve ser lembrado é o título. Um candidato que teve sua redação escolhida entre as melhores da Fuvest 2009 mandou um recadinho ao corretor, no fim de seu texto. Depois de se esquecer de colocar o título no início da dissertação, o vestibulando optou por ocupar a última linha e se explicou: "desculpe, só vi que precisava no final". Seu texto ganhou o título de: "As fronteiras perdendo poder".
Muitos estudantes se prendem a diversas regras na hora de escrever redações para o vestibular mas se esquecem de algo fundamental: a escrita. Leitura, conhecimentos de gramática e de atualidades ajudam muito na hora de redigir um texto, mas só o treino é que faz com que o estudante domine as técnicas para poder expressar suas idéias com precisão.
"Podemos comparar a escrita à habilidade de tocar violão: ninguém diz que é um bom instrumentista sabendo só a teoria musical, é necessário ter a prática", explica o professor Eduardo Antonio Lopes, do cursinho Anglo, em São Paulo.
Outro aspecto importante e que deve ser lembrado é o título. Um candidato que teve sua redação escolhida entre as melhores da Fuvest 2009 mandou um recadinho ao corretor, no fim de seu texto. Depois de se esquecer de colocar o título no início da dissertação, o vestibulando optou por ocupar a última linha e se explicou: "desculpe, só vi que precisava no final". Seu texto ganhou o título de: "As fronteiras perdendo poder".
13/05/2010 - 08h20
"Repertório" é diferencial nas melhores redações da Fuvest, dizem professores
Ana Okada
"Repertório" é diferencial nas melhores redações da Fuvest, dizem professores
Ana Okada
Em São PauloDe acordo com professores ouvidos pelo UOL Vestibular, o repertório dos candidatos foi um importante diferencial apresentado nas melhores redações da Fuvest 2010, pois compõe a chamada "marca de autoria". Esse recurso, de acordo com a professora Maria Aparecida Custódio, do cursinho Objetivo, é muito valorizado pelos corretores da Fuvest.
Ela conta que o vestibular procura não só textos que sejam bem escritos, mas que reflitam, na linguagem usada, o pensamento do estudante. "Você vê que o candidato não coloca a citação ali só para impressionar a banca. É tudo bem contextualizado", diz. "O estudante busca, no repertório dele, argumentos para embasar a redação, usando citações de livros, filmes etc. Isso enriquece a análise", explica Maria Aparecida.
O professor Eduardo Antonio Lopes, do cursinho Anglo, diz que os textos se destacaram, principalmente, por dois pontos: o bom emprego do português culto e o repertório apresentado, que é reflexo da formação cultural do estudante. Para ele, a principal lição que se pode tirar das melhores redações da Fuvest é a de que "não há receita de redação", dada a diversidade de modelos apresentados.
"Isso ataca o mito de que haja uma forma para executar uma redação. Não é como um exercício de matemática, que você tem etapas a serem seguidas numa certa ordem. Você vê que há redações que se aproximam desse modelo e há outras que se afastam bastante disso", salienta. "É importante que cada um procure seu estilo pessoal, seja pelo bom domínio da língua, seja pela boa exploração dos argumentos. Os textos foram escolhidos porque mostram muitas perspectivas que o candidato pode explorar", diz Lopes.
Intertextualidade
Os professores também chamam a atenção para a intertextualidade das redações. "Tem gente que continua achando que as matérias são compartimentadas. A redação é a chance de usar todas as disciplinas, e elas são muito úteis para enriquecer uma redação", diz Maria Aparecida.
"Se tem uma questão interdisciplinar é a redação", diz o professor Lopes. "A escrita reflete toda a formação do indivíduo e o repertório cultural da vida dele; isso não é tarefa só do professor de português, mas da família e de todos os professores de todas as disciplinas", diz.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
PARALELISMO SINTÁTICO E SEMÂNTICO
Por Thaís Nicoleti
"A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Não está somente redefinindo a América Latina, mas também a economia do mundo inteiro."
Algumas construções sintáticas, em geral as que envolvem os conectivos de adição e certas estruturas correlativas, requerem, a bem da clareza, a organização paralelística. Do ponto de vista semântico, uma construção como "Gosto de frutas e de livros" causaria estranheza, embora, do ponto de vista sintático, esteja perfeita. Estamos diante de um caso de quebra do paralelismo semântico, que se caracteriza pela quebra da expectativa do leitor.
Machado de Assis, entre outros escritores, explorou os efeitos estéticos desse tipo de defeito de construção. Está no seu "D. Casmurro" a formulação "um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu", em que criou um delicioso efeito de estilo.
A falta de paralelismo semântico talvez seja mais facilmente percebida que a falta de paralelismo sintático. Esta ocorre quando uma estrutura irregular ocupa o lugar de uma estrutura repetitiva, também quebrando a expectativa do leitor.
Quando começamos um período da seguinte maneira: "Tanto os países da América do Sul", esperamos que a continuação seja algo do tipo "quanto/ como os...". Isso ocorre porque "tanto... como/ quanto" é uma estrutura correlativa (a primeira parte "chama" a segunda). Se disséssemos, portanto, "Tanto os países da América do Sul e os da América Central", teríamos a quebra do paralelismo sintático, embora, do ponto de vista semântico, não houvesse defeito.
O fragmento selecionado apresenta uma das mais frequentes quebras do paralelismo sintático. O último período organiza-se por meio do par correlativo "não somente... mas também". Ocorre, entretanto, que a primeira parte da estrutura foi interrompida pela forma verbal ("não está somente") e, de quebra, a locução "está redefinindo" também foi interrompida. Uma simples ordenação dos termos resultaria em "Está redefinindo não somente".
Observe que, se o redator optasse por "Não somente está redefinindo", a segunda parte da oração deveria conter outro verbo ("Não somente está redefinindo... mas também está fazendo crescer ...", por exemplo). Como a ideia era dizer que a ascensão Brasil está redefinindo as duas coisas (América Latina e economia do mundo inteiro), a correlação deve vir depois do verbo. Assim:
A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Está redefinindo não somente a América Latina mas também a economia do mundo inteiro.
Se, porventura, a ideia fosse dizer que a ascensão do Brasil está redefinindo a economia da América Latina e a economia do resto do mundo, o ideal seria o seguinte:
A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Está redefinindo a economia não somente da América Latina mas também do mundo inteiro.
Outra opção seria a seguinte:
A ascensão do Brasil como um gigante econômico é um dos maiores temas do nosso tempo. Está redefinindo não somente a economia da América Latina mas também a do mundo inteiro.
OUTRA DICA IMPORTANTE: SEM SUJEITO PRÓPRIO, INFINITIVO NÃO SE FLEXIONA
terça-feira, 9 de março de 2010
DOCE REGRESSO
APÓS QUATORZE ANOS AFASTADA DO PRÉ-PJ, SENTI COMO SE TUDO CONTINUASSE DA MESMA FORMA. É CLARO QUE COM OUTROS PARTICIPANTES, NOVOS PERFIS, MAS A MESMA PARTICIPAÇÃO CIDADÃ. ESPERO QUE O ANO LETIVO DE 2010 SEJA MAIS UMA ETAPA DA CAMINHADA QUE NUNCA CESSA. BEIJOS A TODOS!!!!
O QUE É A OFICINA DA ESCRITA?
Uma necessidade. A maneira de fazer a coisa certa quando o assunto é ESCREVER. Uma conquista, um direito essencial. Uma construção cheia de estórias, às vezes nem tão bem compreendidas, porém já se fez amadurecida...
Ao observar os resultados apresentados em 2005, de dois exames federais, Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), quanto aos alunos com aprendizado adequado à série, a Disciplina de Língua Portuguesa, no quinto ano (antiga 4ª série) obteve o índice de 27.9%, abaixo do objetivo traçado que deveria ser 29%.
Nesse sentido, cabe uma reflexão sobre a real situação dos índices apresentados pelos sistemas de avaliação para o aprendizado da leitura e da escrita em contraponto aos aspectos que envolvem a leitura e a escrita nos documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC). Constam nos Parâmetros Curriculares a orientação para redimensionar a concepção sobre o ensino de língua materna, para além da transmissão mecânica na forma de conceitos ou normas gramaticais. Espera-se, desse modo, a superação do “gramatiquês”, estruturado em esquemas desprovidos de qualquer contextualização.
O MEC orienta que a condução do processo ensino-aprendizagem se faça a partir do contato com a leitura e interpretação de textos, consolidando a interação comunicativa:
As competências e habilidades propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) permitem inferir que o ensino de Língua Portuguesa, hoje, busca desenvolver no aluno seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas potencialidades de expressão lingüística, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos representativos de nossa cultura. Para além da memorização mecânica de regras gramaticais ou das características de determinado movimento literário, o aluno deve ter meios para ampliar e articular conhecimentos e competências que possam ser mobilizadas nas inúmeras situações de uso da língua com que se depara, na família, entre amigos, na escola, no mundo do trabalho. (http://portal.mec.gov.br/seb/index)
É possível, portanto, articular uma questão a partir desta contradição: Se os educandos não alcançam resultados satisfatórios em língua portuguesa na educação básica, isto implica dizer que possuem déficit tanto na leitura quanto na escrita. Assim, se um aluno não lê de forma adequada, isto é sem compreender o que lê, como se articula sua produção textual nos vários âmbitos da vida prática?
Faz-se necessário admitir, nesse caso, a interferência da língua falada sobre a língua escrita, de maneira sistemática. Isto se expressa com o abundante uso de coloquialismos. Percebe-se o frágil manejo do vocabulário específico (daí, a dificuldade em expressar conceitos), a predominância pelo sujeito indeterminado. No caso do uso dos tempos verbais, a compreensão desta classe de palavra é a menor possível, os alunos não possuem uma referência quanto ao uso de expressões e verbos que dão sentido e dinamizam os textos, por isso a predominância exaustiva do tempo presente. O uso indiscriminado da primeira pessoa anula os aspectos de impessoalidade, necessários a construção de textos científicos. Em suma, ao não conseguirem articular linguisticamente o próprio saber, fica evidente a pouca observação do contexto de produção dos conhecimentos, é como se a observação da realidade fosse apreendida de maneira superficial e fragmentada.
Em relação aos alunos universitários, a superação desta situação deve ser uma constante, sobretudo porque no meio acadêmico a escrita é a consagração da perpetualidade do conhecimento para as futuras gerações. Segundo HENRIQUES (2008:24):
(...) Vamos falar um pouco dos textos científicos que o aluno de graduação ou pós-graduação vai escrever durante sua vida acadêmica, que são escritos num registro de linguagem equivalente ao dos livros e artigos técnicos que ele lerá ao longo de sua formação. Esse é o habitat da linguagem científica, que não pode ser confundido com o do bate-papo, da música popular, da literatura ou do jornal. Para conviver neste ambiente, como em qualquer dos demais, é preciso entender as regras do jogo – neste caso, lingüístico.”
Por estas questões, a construção de textos acadêmicos vai além do domínio do conteúdo a ser apresentado. Está subordinado, portanto, ao domínio das estruturas sintáticas do português padrão, do manejo do vocabulário e desempenho expressivo. Na obra “A formação social da mente”, Vygotsky (1991: 120) alerta para as deformações que aparecem no ensino da escrita na maioria das escolas. Apresenta a ideia pela qual, também compartilhamos de que “a escrita é ensinada como uma habilidade motora e não como uma atividade cultural complexa.” Destas implicações teóricas e práticas, traduz-se, então, a importância de interação dos indivíduos com o mundo social. Este, disseminador de estruturas simbólicas que se readaptam no espaço e no tempo produzindo saberes.
Nesse sentido, cabe uma reflexão sobre a real situação dos índices apresentados pelos sistemas de avaliação para o aprendizado da leitura e da escrita em contraponto aos aspectos que envolvem a leitura e a escrita nos documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC). Constam nos Parâmetros Curriculares a orientação para redimensionar a concepção sobre o ensino de língua materna, para além da transmissão mecânica na forma de conceitos ou normas gramaticais. Espera-se, desse modo, a superação do “gramatiquês”, estruturado em esquemas desprovidos de qualquer contextualização.
O MEC orienta que a condução do processo ensino-aprendizagem se faça a partir do contato com a leitura e interpretação de textos, consolidando a interação comunicativa:
As competências e habilidades propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) permitem inferir que o ensino de Língua Portuguesa, hoje, busca desenvolver no aluno seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas potencialidades de expressão lingüística, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos representativos de nossa cultura. Para além da memorização mecânica de regras gramaticais ou das características de determinado movimento literário, o aluno deve ter meios para ampliar e articular conhecimentos e competências que possam ser mobilizadas nas inúmeras situações de uso da língua com que se depara, na família, entre amigos, na escola, no mundo do trabalho. (http://portal.mec.gov.br/seb/index)
É possível, portanto, articular uma questão a partir desta contradição: Se os educandos não alcançam resultados satisfatórios em língua portuguesa na educação básica, isto implica dizer que possuem déficit tanto na leitura quanto na escrita. Assim, se um aluno não lê de forma adequada, isto é sem compreender o que lê, como se articula sua produção textual nos vários âmbitos da vida prática?
Faz-se necessário admitir, nesse caso, a interferência da língua falada sobre a língua escrita, de maneira sistemática. Isto se expressa com o abundante uso de coloquialismos. Percebe-se o frágil manejo do vocabulário específico (daí, a dificuldade em expressar conceitos), a predominância pelo sujeito indeterminado. No caso do uso dos tempos verbais, a compreensão desta classe de palavra é a menor possível, os alunos não possuem uma referência quanto ao uso de expressões e verbos que dão sentido e dinamizam os textos, por isso a predominância exaustiva do tempo presente. O uso indiscriminado da primeira pessoa anula os aspectos de impessoalidade, necessários a construção de textos científicos. Em suma, ao não conseguirem articular linguisticamente o próprio saber, fica evidente a pouca observação do contexto de produção dos conhecimentos, é como se a observação da realidade fosse apreendida de maneira superficial e fragmentada.
Em relação aos alunos universitários, a superação desta situação deve ser uma constante, sobretudo porque no meio acadêmico a escrita é a consagração da perpetualidade do conhecimento para as futuras gerações. Segundo HENRIQUES (2008:24):
(...) Vamos falar um pouco dos textos científicos que o aluno de graduação ou pós-graduação vai escrever durante sua vida acadêmica, que são escritos num registro de linguagem equivalente ao dos livros e artigos técnicos que ele lerá ao longo de sua formação. Esse é o habitat da linguagem científica, que não pode ser confundido com o do bate-papo, da música popular, da literatura ou do jornal. Para conviver neste ambiente, como em qualquer dos demais, é preciso entender as regras do jogo – neste caso, lingüístico.”
Por estas questões, a construção de textos acadêmicos vai além do domínio do conteúdo a ser apresentado. Está subordinado, portanto, ao domínio das estruturas sintáticas do português padrão, do manejo do vocabulário e desempenho expressivo. Na obra “A formação social da mente”, Vygotsky (1991: 120) alerta para as deformações que aparecem no ensino da escrita na maioria das escolas. Apresenta a ideia pela qual, também compartilhamos de que “a escrita é ensinada como uma habilidade motora e não como uma atividade cultural complexa.” Destas implicações teóricas e práticas, traduz-se, então, a importância de interação dos indivíduos com o mundo social. Este, disseminador de estruturas simbólicas que se readaptam no espaço e no tempo produzindo saberes.
Reforma Ortográfica: Conheça as novas regras
Atenção: Exceção para nomes próprios estrangeiros
(como Müller e Bündchen)
bilíngue
pinguim
cinquenta
linguistico
delinquente
Antiguidade
quinquênio
tranquilo
sequestro
consequência
aguentar
sagui
arguir
linguiça
Atenção: O acento será mantido em destróier e
Méier, conforme a regra que manda acentuar os
paroxítonos terminados em ‘r’
Mas céu, dói, chapéu, anéis, lençóis não mudam
boia
paranoico
heroico
plateia
ideia
tipoia
Atenção: Esta regra aplica-se também às palavras
compostas: para-brisa, para-raios.
1- Para evitar confusões, foram mantidos os acentos do verbo pôr e da forma do pretérito perfeito pôde. O
acento de fôrma (distinto de forma) é facultativo
Vou para casa. (preposição)
Ela não para de chorar. (verbo)
Vou pelo morro/pela estrada. (contração de preposição + artigo)
O pelo do gato. (substantivo)
Eu pelo/ele pela a cabeça. (verbo)
Acento circunflexo
Os hiatos ‘oo’ e ‘ee’ não recebem mais acento
Atenção: Continuam acentuados (ele) vê, (eles) vêm
[verbo vir], (eles) têm etc.
abençoo
perdoo
magoo
enjoo
leem
veem
Acento agudo sobre o 'u'
1. Não se acentua mais o ‘u’ tônico das formas
verbais argui, apazigue, averigue
2. Não se acentuam mais o ‘u’ e o ‘i’ tônicos
precedidos de ditongo em palavras paroxítonas
Atenção: Feiíssimo e cheiíssimo continuam
acentuados porque são proparoxítonos; bem como
Piauí e teiú, que são oxítonos
feiura
bocaiuva
baiuca
Sauipe
Hífen
O hífen é empregado:
1. Se o segundo elemento começa por ‘h’
Atenção: Esta regra não se aplica às palavras em
que se unem um prefixo terminado em vogal e uma
palavra começada por ‘r’ ou ‘s’. Quando isso
acontece, dobra-se o ‘r’ ou ‘s’: microssonda
(micro + sonda), contrarregra, motosserra,
ultrassom, infrassom, suprarregional
geo-história
giga-hertz
bio-histórico
super-herói
anti-herói
macro-história
mini-hotel
super-homem
2. Para separar vogais ou consoantes iguais
inter-racial
micro-ondas
micro-ônibus
mega-apagão
sub-bibliotecário
sub-base
anti-imperialista
anti-inflamatório
contra-atacar
entre-eixos
hiper-real
infra-axilar
3. Prefixos ‘pan’ ou ‘circum’, seguidos de palavras
que começam por vogal, ‘h’, ‘m’ ou ‘n’
pan-negritude
pan-hispânico
circum-murados
pan-americano
pan-helenismo
circum-navegação
4. Com ‘pós’, ‘pré’ ‘pró’
pós-graduado
pré-operatório
pró-reitor
pós-auricular
pré-datado
pré-escolar
Fonte: José Carlos de Azeredo, professor adjunto de língua portuguesa da Uerj
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro), autor de Gramática Houaiss da língua
portuguesa e coordenador e consultor do livro Escrevendo pela nova ortografia (Instituto
Antônio Houaiss/Publifolha)
- Trema
Atenção: Exceção para nomes próprios estrangeiros
(como Müller e Bündchen)
bilíngue
pinguim
cinquenta
linguistico
delinquente
Antiguidade
quinquênio
tranquilo
sequestro
consequência
aguentar
sagui
arguir
linguiça
- Ditongos abertos
Atenção: O acento será mantido em destróier e
Méier, conforme a regra que manda acentuar os
paroxítonos terminados em ‘r’
Mas céu, dói, chapéu, anéis, lençóis não mudam
boia
paranoico
heroico
plateia
ideia
tipoia
- Acento diferencial de tonicidade
Atenção: Esta regra aplica-se também às palavras
compostas: para-brisa, para-raios.
1- Para evitar confusões, foram mantidos os acentos do verbo pôr e da forma do pretérito perfeito pôde. O
acento de fôrma (distinto de forma) é facultativo
Vou para casa. (preposição)
Ela não para de chorar. (verbo)
Vou pelo morro/pela estrada. (contração de preposição + artigo)
O pelo do gato. (substantivo)
Eu pelo/ele pela a cabeça. (verbo)
Acento circunflexo
Os hiatos ‘oo’ e ‘ee’ não recebem mais acento
Atenção: Continuam acentuados (ele) vê, (eles) vêm
[verbo vir], (eles) têm etc.
abençoo
perdoo
magoo
enjoo
leem
veem
deem
creemAcento agudo sobre o 'u'
1. Não se acentua mais o ‘u’ tônico das formas
verbais argui, apazigue, averigue
2. Não se acentuam mais o ‘u’ e o ‘i’ tônicos
precedidos de ditongo em palavras paroxítonas
Atenção: Feiíssimo e cheiíssimo continuam
acentuados porque são proparoxítonos; bem como
Piauí e teiú, que são oxítonos
feiura
bocaiuva
baiuca
Sauipe
Hífen
O hífen é empregado:
1. Se o segundo elemento começa por ‘h’
Atenção: Esta regra não se aplica às palavras em
que se unem um prefixo terminado em vogal e uma
palavra começada por ‘r’ ou ‘s’. Quando isso
acontece, dobra-se o ‘r’ ou ‘s’: microssonda
(micro + sonda), contrarregra, motosserra,
ultrassom, infrassom, suprarregional
geo-história
giga-hertz
bio-histórico
super-herói
anti-herói
macro-história
mini-hotel
super-homem
2. Para separar vogais ou consoantes iguais
inter-racial
micro-ondas
micro-ônibus
mega-apagão
sub-bibliotecário
sub-base
anti-imperialista
anti-inflamatório
contra-atacar
entre-eixos
hiper-real
infra-axilar
3. Prefixos ‘pan’ ou ‘circum’, seguidos de palavras
que começam por vogal, ‘h’, ‘m’ ou ‘n’
pan-negritude
pan-hispânico
circum-murados
pan-americano
pan-helenismo
circum-navegação
4. Com ‘pós’, ‘pré’ ‘pró’
pós-graduado
pré-operatório
pró-reitor
pós-auricular
pré-datado
pré-escolar
Fonte: José Carlos de Azeredo, professor adjunto de língua portuguesa da Uerj
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro), autor de Gramática Houaiss da língua
portuguesa e coordenador e consultor do livro Escrevendo pela nova ortografia (Instituto
Antônio Houaiss/Publifolha)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O QUE ESPERAM OS ALUNOS DO C.E.MARIA PEREIRA DAS NEVES SOBRE AS ATIVIDADES DA OFICINA DA ESCRITA
"EU QUERO APRENDER A PONTUAR CORRETAMENTE"
Carlos Henrique Rodrigues dos Santos
" EU QUERIA NA OFICINA APRENDER A TER MAIS CRIATIVIDADE, COMO RECICLAR OBJETO, FAZER CARTAZES SOBRE O DIA-A-DIA DO MORRO DO PREVENTÓRIO E OUTRAS COISAS MAIS INTERESSANTES. EU QUERIA TAMBÉM APRENDER A TOCAR INSTRUMENTO."
"EU QUERIA APRENDER A TOCAR INSTRUMENTO E A PRONUNCIAR AS PALAVRAS CORRETAMENTE."
"EU QUERIA E GOSTARIA DE APRENDER A SUBSTITUIR AS GÍRIAS COMO: NÓS VAI, NÓS VAMO E ETC."
"EU PRETENDO TER AULA DE DESENHO PARA APRENDER A DESENHAR MELHOR."
"EU GOSTARIA DE APRENDER A DESENHAR E LER REVISTAS EM QUADRINHOS, GIBIS E A TOCAR INSTRUMENTOS E A ENTENDER AS COISAS BEM MAIS.
" EU PRETENDO TER UMA AULA SOBRE LETRAS DE MÚSICAS."
"PRETENDO APRENDER LITERATURA PORTUGUESA ."
"EU GOSTARIA DE APRENDER A PRONUNCIAR MAIS CORRETAMENTE AS PALAVRAS. ÀS VEZES TENHO DIFICULDADE EM DIFERENCIAR UMA DAS OUTRAS."
"EU GOSTARIA DE APRENDER NADA."
"EU QUERIA APRENDER A DESENHAR, A ESCREVER UMA CARTA."
"EU QUERIA APRENDER A PRONUNCIAR ALGUMAS PALAVRAS E TAMBÉM A ESCREVER MELHOR ALGUMAS PALAVRAS. EU ERRO MUITAS PALAVRAS, TROCO O "O" PELO "U" E "C" PELO"S" E ERRO ALGUMAS PRONUNCIAS QUE EU FAÇO E VERBO TROCO O "NÓS" PELO "AGENTE". SÓ ISSO QUE EU PRECISO PARA MEU PORTUGUÊS SER CORRETO."
"EU GOSTARIA DE APRENDER A DESENHAR, EU GOSTARIA DE APRENDER A ESCREVER NO QUADRO."
"EU GOSTARIA QUE FOSSE ALGO DEFERENTE, PARA QUE NÃO FICASSE AQUELA MESMA COISA CHATA DAS AULAS NORMAIS."
" SIGNIFICADO DE ALGUMAS PALAVRAS. FALAR UMA COISA E SABER EXPLICAR."
"PODERIA SER LEGAL E TAMBÉM TER AULAS DE DESENHO."
"EU QUERIA QUE TIVESSE MAIS DESENHOS, FILMES...QUE FOSSEMOS A BIBLIOTECA E NÃO SÓ NA SALA DE AULA, ESCREVENDO, ESCREVENDO..."
"TRABALHAR COM LINGUAGEM DE E-MAIL, ESCREVER SEM ERROS, APRENDER MAIS SOBRE REFORMA ORTOGRÁFICA."
"PROPONHO MELHORA NA LEITURA E NA ESCRITA."
PROPONHO QUE NÓS FIZÉSSEMOS MÚSICAS, HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, DESENHOS E NOS DIVERTÍSSEMOS."
"EU QUERIA APRENDER A ESCREVER MELHOR."
"GOSTARIA QUE AJUDA-SE A MELHORAR MEU APRENDIZADO AO LER E ESCREVER E ENTENDER O QUE LEIO E ESCREVO."
"PODERIA SER LEGAL!!!SER BEM DESCONTRAÍDO. ESTOU SEM IDÉIAS. AH!? PODIA TER AULAS DE DESENHO.
BJS ME LIGA."
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Salgueiro retrata na passarela personagens marcantes da literatura
Clássicos da literatura mundial e brasileira, incluindo best-sellers atuais como os livros de Harry Potter, foram retratados no desfile da Salgueiro. O enredo "História Sem Fim" foi a aposta da escola campeã do carnaval de 2009 para conquistar o bicampeonato este ano.
A comissão de frente estava caracterizada de "Monges Copistas", que durante a Idade Média escreviam histórias em papiros. Dançarinos representando os monges vestiam mantos roxos e por baixo fantasias douradas que, em um momento-chave da coreografia, eram reveladas.
O invetor da prensa, Johannes Gutenberg, também foi homenageado em uma das alas com seu nome, com passistas com roupas da época. Em seguida, um carro alegórico representando sua oficina trazia acrobatas da Intrépida Trupe pendurados com fantasias brancas e letras pretas estampadas.
As baianas homenagearam a obra de Jorge Amado caracterizadas como mães de santo, com vestidos brancos com detalhes espelhados e prateados. Um tripé com uma figa acompanhou as baianas, representando os diversos símbolos religiosos da Bahia.
A ala "Navio Negueiro" trouxe passistas com o corpo pintado de negro, vestindo apenas uma sunga, com correntes no pescoço. Eles retratavam escravos, em referência à obra de Castro Alves, escritor que protestou contra a escravidão.
"O guarani", de José de Alencar, ganhou uma ala com foliões vestindo fantasia com penas coloridas e detalhes barrocos, simbolizando a união do índio com o europeu. Em seguida, o carro "Brasil Mestiço" trazia uma alegoria que retratava o rosto de um índio, nas cores vermelho e laranja, completando a homenagem.
Um carro alegórico foi decorado com personagens e cenários do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, em homenagem ao escritor Monteiro Lobato. Uma Emília de nove metros, esculpida em isopor, estava pendurada em cordas que eram controladas por componentes fantasiados de duendes.
Representando a literatura contemporânea, um carro alegórico trouxe cenários e personagens da saga de Harry Potter. O castelo de Hogwarts e o bruxo Dumbledore estavam retratados na alegoria.
Histórias sem fim
Sonhei... no infinito das histórias
Iluminando a memória, me encantei
Brilhou... realidade e fantasia
Como nunca imaginei
Na arte do saber um novo amanhecer
Divina criação, primeira impressão
O livro sagrado da vida
Virtude pra eternidade
A leitura estimulando
A mente da humanidade
Eu viajei nessa magia
De alma e coração
Na fonte da sabedoria
Busquei a minha inspiração
Páginas descrevendo pensamentos
Clássicos, ideais e sentimentos
Romances...aventuras
Quanta riqueza na nossa literatura
O faz-de-conta inocente da criança
Ficou guardado na lembrança
Mistérios... suspense... emoção
É o hábito de ler, folheando com prazer
Muito além de uma visão
Mensagens de esperança
Clareando a imaginação
Uma história de amor
Sem ponto final
"Academia do samba" é Salgueiro
No "livro do meu carnaval"
sábado, 13 de fevereiro de 2010
A LÍNGUA DE EULÁLIA É A DE TODOS NÓS
O lingüista e professor da Universidade de Brasília Marcos Bagno apresenta-se como ativista no campo da emancipação através da linguagem. Escritor e tradutor com ampla e qualitativa produção de obras no campo da sociologia da linguagem e do ensino do português, o autor nos oferece com esta obra novas reflexões sobre os fenômenos da linguagem.
A escolha pela ficção, por isso a “novela sociolingüística”, torna a apresentação dos conceitos lingüísticos perfeitamente entendíveis. As personagens, o tempo, o espaço, o enredo, enfim, a trama narrativa nos envolve de tal forma que nos enxergamos tanto como falante quanto como profissionais da educação. Ali estão nossos preconceitos, dúvidas, medos, alienações, mas também o entendimento do motivo de tanta transgressão na linguagem. Caso os conceitos apresentados em A língua de Eulália estivem sistematizados em compêndios fixamente editados, será que causariam ao leitor tamanha fluidez e identificação? Talvez, não. Bagno presta um grande serviço quando incorpora o prazer da leitura a necessidade e importância conceitual, principalmente porque a sociolingüística possui um aporte teórico vasto e necessita, portanto de exemplos reais do cotidiano da fala.
As teses apresentadas pelo autor questionam as teses da Nomenclatura Gramatical difundidas na sociedade de forma mais sistemática na escola. O preconceito lingüístico não deixa de ser um preconceito social e vice-versa. Aparentemente, pode-se entender esta máxima como uma maneira simplista de explicar o problema, porém não se trata mais de “fazer vista grossa” aos danos que causam as teorias difundidas por gramáticos e paragramáticos, inclusive pela mídia, como se fossem verdades reveladas. A experiência de Marcos Bagno no campo da lingüística fornece exemplos reais de desconstrução de tais teorias.
Impressiona-nos a tradição educacional em negar a existência de uma pluralidade de normas lingüísticas em relação ao universo existente , negar que a norma padrão também é um tipo de variedade faz das outras, formas desviantes, logo com menos ou sem prestígio. Conhecendo a história da língua nos aspectos mais ligados a sociedade perceberemos que as mudanças fonéticas, morfológicas e semânticas referem-se a dinâmica própria do indivíduo na sociedade. As questões econômicas, geográficas, etárias, de gênero, etc influenciam os diversos tipos de variação. Como podem normas gerais de uma única variação prescrever fundamentos para uma gama de possibilidades do sujeito-falante?
Somos enviados à escola para aprender a norma culta, pois conhecemos o idioma do país que nascemos desde muito cedo. A comunicação se realiza para o conjunto da população sem necessariamente grandes problemas.Cumpre dizer que a norma não-padrão é regida também pela lógica interna e social na qual os seres humanos estão inseridos. Estas reflexões levam questionar se o fracasso escolar não é também o fracasso DA ESCOLA? Não seria o espaço escolar o lugar da violência simbólica como assinala os intelectuais Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron? A Língua de Eulália perpassa os conceitos misturando explicações diacrônicas e sincrônicas, introduz, inclusive aspectos psicolingüísticos como os afetos na relação linguagem e pensamento. Sabe-se que esta última questão ainda intriga a todos, leigos e cientistas da linguagem.
Publicações neste campo forçam a reflexão sobre os caminhos do ensino de língua materna sobretudo quanto ao aspecto da formação de professores. Ressente-se no Brasil de um ensino da norma padrão eficaz e que gravíssimos danos esta falta tem causado em relação a escrita e a leitura dos alunos em todos os níveis de ensino. A obra de Bagno integra estudos transdisciplinares no campo da educação e da cultura. Ensinando a não nos contentar com “perplexidades”, tais como “a ruína”, a “corrupção”, a “decadência” da língua portuguesa (pg. 194) . Devemos além de conhecer, pensar a língua. Estar em contato constante com as reflexões do mundo acadêmico, mas também elaborando práticas de ensino que dialoguem de maneira justa e colaborativa com a emancipação humana.
A democratização do ensino no Brasil ainda é um mito. A expansão quantitativa não foi seguida de qualidade e autonomia pedagógica. Bagno dialoga muito bem com Bourdieu em vários capítulos do livro, pois este fornece aquele respostas no campo da subjetividade, objetivando o conceito de capital cultural, tão necessário ao conceitos científicos da sociolingüística.O conceito de capital cultural insere-se na constatação de que a herança cultural conjugada ao Ethos é o motivo do “sucesso escolar”das crianças e jovens das altas classes sociais e do “fracasso” das crianças e jovens das classes desfavorecidas.O Capital Cultural, ou seja o”habitus”, engloba três estágios: O capital incorporado( investimento de tempo de vida em profunda imersão em gestos, atitudes que promovem a aquisição de saberes); o Capital objetivado (contato com objetos e instituições culturais) e o capital institucionalizado ( certificações, reconhecimento oficiais).Estas etapas se conjugam e formam os mecanismos simbólicos que acrescentam valores (economia de símbolos) que serão os valores reconhecidos pelo espaço escolar como legítimos, isto é, canonicamente aceitos.As condições objetivas irão determinar as escolhas e até mesmo, as idéias de vocação. Os sujeitos são suscetíveis a engendrar tanto uma auto-estima elevada, promovendo, assim, escolhas audaciosas, quando uma baixa auto-estima, o que poderá estimular escolhas que os mantenham nos limites da sua classe de origem.
O Capital Cultural é determinado pela herança cultural, esta passa a ser considerada “dom natural”, porque será simbolicamente as atitudes e os conhecimentos de uma determinada classe social que possui uma linguagem de prestígio, saberes mitificados e portanto considerados verdadeiros e belos.Sendo assim, a transmissão doméstica do Capital Cultural é considerada mais eficiente pois age sobre indivíduos de maneira a dar a ver, por exemplo, integrando o cosmo psíquico e afetivo.
Segundo, Bourdieu, ao contrário da escola libertadora que compreende o espaço escolar como meio de superação das desigualdades, a instituições, as instituições escolares não apenas estimulam, mas também legitimam as desigualdades.Isto acontece quando a escola trata como iguais os diferentes.Quando se comporta com se não houvesse diferenças e universaliza os métodos acabando por reforçar os mecanismos de exclusão, uma vez que privilegiou um certo tipo de pedagogia. A língua padrão, os métodos de ensino, a escolha curricular, ao invés de serem, aprendidos/compreendidos como necessários a inclusão, são tomados como elementos estratificadores, dificultosos para aqueles que não os dominam.
A ritologia escolar, nesta a perspectiva, pode ganhar novas significações se os que integram as instituições reconhecerem a validade da escola como propulsora de irradiação do Capital Cultural para o bem comum.Os ritos podem ser instruídos no sentido da construção de espaços alternativos e ricos de possibilidades de empoderamento das classes menos favorecidas.
Temos, então uma obra clara, dinâmica e aberta acerca dos dilemas da linguagem As resistências as idéias de Marcos Bagno situam-se tanto no espaço acadêmico quanto entre profissionais da educação das redes de ensino, todavia, não se pode deixar de respeitar sua produção que se encontra divulgada em vários espaços intelectuais criando polêmicas e mexendo com a letargia geral. Parafraseando o escritor Checherton: “ A aventura pode ser louca, mas o aventureiro tem que ser lúcido.”
Maria da Conceição do Nascimento Gomes
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Universidades oferecem em 2010 cursos de mediação de leitura
Curso de extensão à distância para formação de Professor Mediador de Leitura terá início em 2010
Em 2010, um grupo de nove instituições públicas de ensino superior, selecionadas pelo Ministério da Educação, vai abrir cursos sobre mediação de leitura. Poderão participar da formação professores das redes públicas de educação básica de todas as séries, especialmente de turmas de jovens e adultos.
Os cursos de extensão, a distância, serão ministrados em pólos da Universidade Aberta do Brasil (UAB). A carga horária é de 90 horas, com duração média de três meses. A primeira parte da qualificação prepara os professores para trabalhar com as ferramentas da educação a distância. Depois, com apoio de materiais didáticos, criados pelas instituições exclusivamente para o curso, eles vão estudar temas como linguagem e cultura, leitura de linguagens verbais e não verbais (cinema, teatro, música, dança, fotografia, arquitetura, hipermídia, cibercultura), textos literários e como trabalhar a leitura com distintos públicos – crianças, jovens, adultos, idosos.
As coleções do programa Literatura para Todos, que reúnem obras criadas especialmente para jovens e adultos em processo de alfabetização ou recém-alfabetizados, também serão objeto de estudos. O propósito do Ministério da Educação é que os professores da educação básica conheçam os livros das coleções 2006, 2008 e 2009 e passem a utilizá-los na sala de aula.
Terão prioridade nos cursos de mediadores de leitura os professores de estados e municípios que aderiram ao Compromisso Todos pela Educação e as prefeituras que solicitaram a formação nos planos de ações articuladas (PAR), em 2007 e 2008. A informação é de Elaine Cáceres, da diretoria de políticas de educação de jovens e adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC.
Nos dias 14 e 15 deste mês, as instituições terão reunião com a Secad para informar sobre o andamento da criação dos cursos e dos materiais didáticos. Quando essas duas questões estiverem resolvidas, as inscrições serão abertas na Plataforma Freire.
Oferecerão cursos de mediadores de leitura as universidades federais do Ceará (UFCE), de Pernambuco (UFPE), Rural de Pernambuco (UFRPE), do Maranhão (UFMA), de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Rio Grande (Furg) e do Rio Grande do Sul (UFRGS); o Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), e a Universidade Estadual Paulista (Unifesp). Ao final da formação, os professores receberão certificados expedidos pelas universidades que aderiram ao projeto e que integram a Rede de Formação para a Diversidade.
Novo edital – O Edital nº 28/2009, publicado pela Secad em 23 de novembro, abre prazo para instituições públicas de ensino superior apresentarem propostas de cursos em 16 áreas da diversidade, entre eles, de mediadores de leitura. O edital relaciona os objetivos da chamada pública, os prazos, carga horária dos cursos, entre outras informações.
Ionice Lorenzoni
www.mec.gov.br
Curso de extensão à distância para formação de Professor Mediador de Leitura terá início em 2010
Os cursos de extensão, a distância, serão ministrados em pólos da Universidade Aberta do Brasil (UAB). A carga horária é de 90 horas, com duração média de três meses. A primeira parte da qualificação prepara os professores para trabalhar com as ferramentas da educação a distância. Depois, com apoio de materiais didáticos, criados pelas instituições exclusivamente para o curso, eles vão estudar temas como linguagem e cultura, leitura de linguagens verbais e não verbais (cinema, teatro, música, dança, fotografia, arquitetura, hipermídia, cibercultura), textos literários e como trabalhar a leitura com distintos públicos – crianças, jovens, adultos, idosos.
As coleções do programa Literatura para Todos, que reúnem obras criadas especialmente para jovens e adultos em processo de alfabetização ou recém-alfabetizados, também serão objeto de estudos. O propósito do Ministério da Educação é que os professores da educação básica conheçam os livros das coleções 2006, 2008 e 2009 e passem a utilizá-los na sala de aula.
Terão prioridade nos cursos de mediadores de leitura os professores de estados e municípios que aderiram ao Compromisso Todos pela Educação e as prefeituras que solicitaram a formação nos planos de ações articuladas (PAR), em 2007 e 2008. A informação é de Elaine Cáceres, da diretoria de políticas de educação de jovens e adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC.
Nos dias 14 e 15 deste mês, as instituições terão reunião com a Secad para informar sobre o andamento da criação dos cursos e dos materiais didáticos. Quando essas duas questões estiverem resolvidas, as inscrições serão abertas na Plataforma Freire.
Oferecerão cursos de mediadores de leitura as universidades federais do Ceará (UFCE), de Pernambuco (UFPE), Rural de Pernambuco (UFRPE), do Maranhão (UFMA), de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Rio Grande (Furg) e do Rio Grande do Sul (UFRGS); o Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), e a Universidade Estadual Paulista (Unifesp). Ao final da formação, os professores receberão certificados expedidos pelas universidades que aderiram ao projeto e que integram a Rede de Formação para a Diversidade.
Novo edital – O Edital nº 28/2009, publicado pela Secad em 23 de novembro, abre prazo para instituições públicas de ensino superior apresentarem propostas de cursos em 16 áreas da diversidade, entre eles, de mediadores de leitura. O edital relaciona os objetivos da chamada pública, os prazos, carga horária dos cursos, entre outras informações.
Ionice Lorenzoni
www.mec.gov.br
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Adolescentes estão perdendo interesse nos blogs, indica pesquisa - O Globo Online
Adolescentes estão perdendo interesse nos blogs, indica pesquisa - O Globo Online
Não ajuda muito a chamada da matéria publicada no UOL: "Blog é coisa de velho". Isto, além de preconceituoso, cria falsas idéias sobre este suporte. Cabe muito bem a conjunção de escrita , imagem e som para expressar as diversas intenções de quem bloga. Vale discutir o porquê dessa pressa dos jovens. As novas tecnologias estão proliferando espaços de leitura e escrita autoral. Os blogs, diários virtuais, são suportes ricos, apontam caminhos para a possibilidade de livre participação na redação. Esse hipertexto cooperativo que pode se transformar os blogs comunitários se inserem no trajeto de uma construção social do conhecimento. Seria uma resposta ao vazio de propostas e intenções que existem em algumas redes sociais e outros blogs que nos deparamos a todo momento. É preciso dar sentido social e transformador ao suporte. Não ajuda o adesismo inconsequente, o deslumbre com os aparatos tecnológicos, afirmando freneticamente que estes por si, já fizeram a “revolução” educacional se os processos formativos dos indivíduos estão fragmentados e descompromissados com a crítica. O tempo para a leitura deve ser respeitado e estimulado na família e na escola, sobretudo porque escrever utilizando a norma culta ainda é um imperativo do nosso tempo.
CRIANÇA :A ALMA DO NEGÓCIO
Um video de Estela Renner
Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?
Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que umn adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falama diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.
Direção Estela Renner
Produção Executiva Marcos Nisti
Maria Farinha Produções
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Programação:
Oficina de Contação de Histórias
Sonia Sampaio e Deka Profas. (Letras) e Contadoras
. Programa:
- O Contador de Histórias: seu papel, sua importância
- Habilidades do Contador de Histórias
- Os Diversos Tipos de Narrativas: fábula, lenda, conto, conto de fadas, crônica
- Atividades Lúdicas de Expressão Corporal e Expressão Vocal
- O Conto Popular e o Conto Autoral
- Para Quem, Onde e Quando Contar Histórias
- Produção Coletiva de Contos
- Bibliografia
- Entrega de certificados
. Biblioteca Popular de Botafogo "Machado de Assis" (RJ)
. Endereço: Rua Farani, 53 - (próx. à Universidade Santa Úrsula)
. Dias: 06 de fevereiro de 2010 (SÁBADO)
. Horário: das 10:00 às 16:00 horas
. Carga horária: 6 horas (um único dia)
. Investimento: R$70,00 (com material didático)
. Inscrição: até o dia 04/02/2010 com
- Sonia Sampaio / e-mail: sonia.sampaio@oi.com.br
Fone: (21) 2551-3572 ou
- Deka Teubl / e-mail: dekateubl@yahoo.com.br
Fone: (21) 3237-7237
As Alquimistas da Palavra
Sonia Sampaio e Deka Teubl há anos contam histórias. Juntas, elaboraram os Projetos de Oficinas de Contação de Histórias: "O Contador de Histórias", "Os Contos Maravilhosos", "Os Contos e seus Encantos: de Basile a Lobato" e "Saboreando as Palavras".
Estas Oficinas, destinadas ao público adulto, são realizadas na Biblioteca de Botafogo, bem como em escolas, espaços culturais, livrarias, empresas e órgãos do Governo Federal no Rio de Janeiro e em cidades vizinhas.
Sonia e Deka realizam sessões de contação de histórias para crianças, jovens e adultos, sendo amplo o seu repertório de narrativas populares: histórias de bichos, fábulas, lendas, apólogos, mitos, contos e contos de fadas e de narrativas autorais como: contos, crônicas e páginas de romances de renomados escritores brasileiros e estrangeiros.
Gratas
As Alquimistas da Palavra
Oficina de Contação de Histórias
"O Contador de Histórias"Ministrantes: As Alquimistas da Palavra
Sonia Sampaio e Deka Profas. (Letras) e Contadoras
. Programa:
- O Contador de Histórias: seu papel, sua importância
- Habilidades do Contador de Histórias
- Os Diversos Tipos de Narrativas: fábula, lenda, conto, conto de fadas, crônica
- Atividades Lúdicas de Expressão Corporal e Expressão Vocal
- O Conto Popular e o Conto Autoral
- Para Quem, Onde e Quando Contar Histórias
- Produção Coletiva de Contos
- Bibliografia
- Entrega de certificados
. Biblioteca Popular de Botafogo "Machado de Assis" (RJ)
. Endereço: Rua Farani, 53 - (próx. à Universidade Santa Úrsula)
. Dias: 06 de fevereiro de 2010 (SÁBADO)
. Horário: das 10:00 às 16:00 horas
. Carga horária: 6 horas (um único dia)
. Investimento: R$70,00 (com material didático)
. Inscrição: até o dia 04/02/2010 com
- Sonia Sampaio / e-mail: sonia.sampaio@oi.com.br
Fone: (21) 2551-3572 ou
- Deka Teubl / e-mail: dekateubl@yahoo.com.br
Fone: (21) 3237-7237
As Alquimistas da Palavra
Sonia Sampaio e Deka Teubl há anos contam histórias. Juntas, elaboraram os Projetos de Oficinas de Contação de Histórias: "O Contador de Histórias", "Os Contos Maravilhosos", "Os Contos e seus Encantos: de Basile a Lobato" e "Saboreando as Palavras".
Estas Oficinas, destinadas ao público adulto, são realizadas na Biblioteca de Botafogo, bem como em escolas, espaços culturais, livrarias, empresas e órgãos do Governo Federal no Rio de Janeiro e em cidades vizinhas.
Sonia e Deka realizam sessões de contação de histórias para crianças, jovens e adultos, sendo amplo o seu repertório de narrativas populares: histórias de bichos, fábulas, lendas, apólogos, mitos, contos e contos de fadas e de narrativas autorais como: contos, crônicas e páginas de romances de renomados escritores brasileiros e estrangeiros.
Gratas
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