APÓS QUATORZE ANOS AFASTADA DO PRÉ-PJ, SENTI COMO SE TUDO CONTINUASSE DA MESMA FORMA. É CLARO QUE COM OUTROS PARTICIPANTES, NOVOS PERFIS, MAS A MESMA PARTICIPAÇÃO CIDADÃ. ESPERO QUE O ANO LETIVO DE 2010 SEJA MAIS UMA ETAPA DA CAMINHADA QUE NUNCA CESSA. BEIJOS A TODOS!!!!
O QUE É A OFICINA DA ESCRITA?
Uma necessidade. A maneira de fazer a coisa certa quando o assunto é ESCREVER. Uma conquista, um direito essencial. Uma construção cheia de estórias, às vezes nem tão bem compreendidas, porém já se fez amadurecida...
Ao observar os resultados apresentados em 2005, de dois exames federais, Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), quanto aos alunos com aprendizado adequado à série, a Disciplina de Língua Portuguesa, no quinto ano (antiga 4ª série) obteve o índice de 27.9%, abaixo do objetivo traçado que deveria ser 29%.
Nesse sentido, cabe uma reflexão sobre a real situação dos índices apresentados pelos sistemas de avaliação para o aprendizado da leitura e da escrita em contraponto aos aspectos que envolvem a leitura e a escrita nos documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC). Constam nos Parâmetros Curriculares a orientação para redimensionar a concepção sobre o ensino de língua materna, para além da transmissão mecânica na forma de conceitos ou normas gramaticais. Espera-se, desse modo, a superação do “gramatiquês”, estruturado em esquemas desprovidos de qualquer contextualização.
O MEC orienta que a condução do processo ensino-aprendizagem se faça a partir do contato com a leitura e interpretação de textos, consolidando a interação comunicativa:
As competências e habilidades propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) permitem inferir que o ensino de Língua Portuguesa, hoje, busca desenvolver no aluno seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas potencialidades de expressão lingüística, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos representativos de nossa cultura. Para além da memorização mecânica de regras gramaticais ou das características de determinado movimento literário, o aluno deve ter meios para ampliar e articular conhecimentos e competências que possam ser mobilizadas nas inúmeras situações de uso da língua com que se depara, na família, entre amigos, na escola, no mundo do trabalho. (http://portal.mec.gov.br/seb/index)
É possível, portanto, articular uma questão a partir desta contradição: Se os educandos não alcançam resultados satisfatórios em língua portuguesa na educação básica, isto implica dizer que possuem déficit tanto na leitura quanto na escrita. Assim, se um aluno não lê de forma adequada, isto é sem compreender o que lê, como se articula sua produção textual nos vários âmbitos da vida prática?
Faz-se necessário admitir, nesse caso, a interferência da língua falada sobre a língua escrita, de maneira sistemática. Isto se expressa com o abundante uso de coloquialismos. Percebe-se o frágil manejo do vocabulário específico (daí, a dificuldade em expressar conceitos), a predominância pelo sujeito indeterminado. No caso do uso dos tempos verbais, a compreensão desta classe de palavra é a menor possível, os alunos não possuem uma referência quanto ao uso de expressões e verbos que dão sentido e dinamizam os textos, por isso a predominância exaustiva do tempo presente. O uso indiscriminado da primeira pessoa anula os aspectos de impessoalidade, necessários a construção de textos científicos. Em suma, ao não conseguirem articular linguisticamente o próprio saber, fica evidente a pouca observação do contexto de produção dos conhecimentos, é como se a observação da realidade fosse apreendida de maneira superficial e fragmentada.
Em relação aos alunos universitários, a superação desta situação deve ser uma constante, sobretudo porque no meio acadêmico a escrita é a consagração da perpetualidade do conhecimento para as futuras gerações. Segundo HENRIQUES (2008:24):
(...) Vamos falar um pouco dos textos científicos que o aluno de graduação ou pós-graduação vai escrever durante sua vida acadêmica, que são escritos num registro de linguagem equivalente ao dos livros e artigos técnicos que ele lerá ao longo de sua formação. Esse é o habitat da linguagem científica, que não pode ser confundido com o do bate-papo, da música popular, da literatura ou do jornal. Para conviver neste ambiente, como em qualquer dos demais, é preciso entender as regras do jogo – neste caso, lingüístico.”
Por estas questões, a construção de textos acadêmicos vai além do domínio do conteúdo a ser apresentado. Está subordinado, portanto, ao domínio das estruturas sintáticas do português padrão, do manejo do vocabulário e desempenho expressivo. Na obra “A formação social da mente”, Vygotsky (1991: 120) alerta para as deformações que aparecem no ensino da escrita na maioria das escolas. Apresenta a ideia pela qual, também compartilhamos de que “a escrita é ensinada como uma habilidade motora e não como uma atividade cultural complexa.” Destas implicações teóricas e práticas, traduz-se, então, a importância de interação dos indivíduos com o mundo social. Este, disseminador de estruturas simbólicas que se readaptam no espaço e no tempo produzindo saberes.
Nesse sentido, cabe uma reflexão sobre a real situação dos índices apresentados pelos sistemas de avaliação para o aprendizado da leitura e da escrita em contraponto aos aspectos que envolvem a leitura e a escrita nos documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC). Constam nos Parâmetros Curriculares a orientação para redimensionar a concepção sobre o ensino de língua materna, para além da transmissão mecânica na forma de conceitos ou normas gramaticais. Espera-se, desse modo, a superação do “gramatiquês”, estruturado em esquemas desprovidos de qualquer contextualização.
O MEC orienta que a condução do processo ensino-aprendizagem se faça a partir do contato com a leitura e interpretação de textos, consolidando a interação comunicativa:
As competências e habilidades propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) permitem inferir que o ensino de Língua Portuguesa, hoje, busca desenvolver no aluno seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas potencialidades de expressão lingüística, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos representativos de nossa cultura. Para além da memorização mecânica de regras gramaticais ou das características de determinado movimento literário, o aluno deve ter meios para ampliar e articular conhecimentos e competências que possam ser mobilizadas nas inúmeras situações de uso da língua com que se depara, na família, entre amigos, na escola, no mundo do trabalho. (http://portal.mec.gov.br/seb/index)
É possível, portanto, articular uma questão a partir desta contradição: Se os educandos não alcançam resultados satisfatórios em língua portuguesa na educação básica, isto implica dizer que possuem déficit tanto na leitura quanto na escrita. Assim, se um aluno não lê de forma adequada, isto é sem compreender o que lê, como se articula sua produção textual nos vários âmbitos da vida prática?
Faz-se necessário admitir, nesse caso, a interferência da língua falada sobre a língua escrita, de maneira sistemática. Isto se expressa com o abundante uso de coloquialismos. Percebe-se o frágil manejo do vocabulário específico (daí, a dificuldade em expressar conceitos), a predominância pelo sujeito indeterminado. No caso do uso dos tempos verbais, a compreensão desta classe de palavra é a menor possível, os alunos não possuem uma referência quanto ao uso de expressões e verbos que dão sentido e dinamizam os textos, por isso a predominância exaustiva do tempo presente. O uso indiscriminado da primeira pessoa anula os aspectos de impessoalidade, necessários a construção de textos científicos. Em suma, ao não conseguirem articular linguisticamente o próprio saber, fica evidente a pouca observação do contexto de produção dos conhecimentos, é como se a observação da realidade fosse apreendida de maneira superficial e fragmentada.
Em relação aos alunos universitários, a superação desta situação deve ser uma constante, sobretudo porque no meio acadêmico a escrita é a consagração da perpetualidade do conhecimento para as futuras gerações. Segundo HENRIQUES (2008:24):
(...) Vamos falar um pouco dos textos científicos que o aluno de graduação ou pós-graduação vai escrever durante sua vida acadêmica, que são escritos num registro de linguagem equivalente ao dos livros e artigos técnicos que ele lerá ao longo de sua formação. Esse é o habitat da linguagem científica, que não pode ser confundido com o do bate-papo, da música popular, da literatura ou do jornal. Para conviver neste ambiente, como em qualquer dos demais, é preciso entender as regras do jogo – neste caso, lingüístico.”
Por estas questões, a construção de textos acadêmicos vai além do domínio do conteúdo a ser apresentado. Está subordinado, portanto, ao domínio das estruturas sintáticas do português padrão, do manejo do vocabulário e desempenho expressivo. Na obra “A formação social da mente”, Vygotsky (1991: 120) alerta para as deformações que aparecem no ensino da escrita na maioria das escolas. Apresenta a ideia pela qual, também compartilhamos de que “a escrita é ensinada como uma habilidade motora e não como uma atividade cultural complexa.” Destas implicações teóricas e práticas, traduz-se, então, a importância de interação dos indivíduos com o mundo social. Este, disseminador de estruturas simbólicas que se readaptam no espaço e no tempo produzindo saberes.
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